domingo, 20 de setembro de 2009

Lei contra o cristianismo - Friedrich Nietzsche

PROCLAMADA NO DIA DA SALVAÇÃO, DIA PRIMEIRO DO ANO UM
(30 DE SETEMBRO DE 1888 DA CONTAGEM ERRADA)

Guerra mortal contra o vício: o vício é o cristianismo

Artigo primeiro. – Viciosa é toda espécie de antinatureza. A mais viciosa espécie de homem é o sacerdote: ele ensina a antinatureza. Contra o sacerdote não há razões, há o cárcere.

Artigo segundo. – Toda participação num ofício divino é um atentado à moralidade pública. Deve-se ser mais duro com os protestantes do que com os católicos, e mais duro com os protestantes liberais do que com os ortodoxos. O que há de criminoso no fato de ser cristão aumenta à medida que alguém se aproxima da ciência. Portanto, o criminoso dos criminosos é o filósofo.

Artigo terceiro. – O local maldito onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser arrasado e, como lugar infame da Terra, será o terror da posteridade. Nele deverão ser criadas serpentes venenosas.

Artigo quarto. – A pregação da castidade é uma incitação pública à antinatureza. Todo desprezo da vida sexual, toda impurificação da mesma através do conceito de “impuro” é o autêntico pecado contra o sagrado espírito da vida.

Artigo quinto. – Quem senta à mesa com um sacerdote é expulso: excomunga a si mesmo da sociedade honesta. O sacerdote é o nosso chandala – deve ser banido, esfomeado, enxotado para toda espécie de deserto.

Artigo sexto. – A história “sagrada” deve ser chamada com o nome que merece, história maldita; as palavras “Deus”, “Salvador”, “Redentor”, “Santo” devem ser usadas como insultos, como insígnias de criminosos.

Artigo sétimo. – Tudo o mais se segue disso.

O Anticristo

Extraído de:
NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo – Maldição ao cristianismo. Tradução de Paulo César de Souza. Companhia da Letras. São Paulo, 2007.

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